sexta-feira, 23 de outubro de 2009

LITERATURA ESCRITA PELOS POVOS INDIGENAS

ESSE É O TITULO DO MEU RECENTE LIVRO, DIA 21 DE OUTUBRO ACONTECEU O LANÇAMENTO NO CENTRO DE FORMAÇÃO DOS PROFESSORES EM OSASCO. FOI UM DIA MUITO IMPORTANTE PORQUE FIZ CONTATO COM MUITOS PROFESSORES QUE ALGUNS JÁ CONHECIAM MEUS LIVROS E ATÉ TRABALHAM NAS ESCOLAS COM ALGUNS, OUTROS TIVERA A OPORTUNIDADE DE ME CONHECER E O LIVRO QUE ACREDITO QUE SERÁ MUITO IMPORTANTE PORQUE MOSTRA UMA TRAGETÓRIA DA MINHA VIDA, DESDE O INICIO QUE COMECEI A ESCREVER, NOS ANOS DE 1984, COMO POETA E ROMANCISTA E HOJE COMO CONTISTA.
TAMBÉM ESTEVE PRESENTE UM ESCRITOR QUE ADMIRO MUITO, BENEDITO PREZIA, ESCRITOR DE HISTÓRIA INDIGENA.
E AOS LEITORES QUE AINDA NÃO LERAM NENHUM DOS MEUS LIVROS TENHO CERTEZA QUE IRÁ TER ALGO MUITO BOM PARA TRABALHAR COM SEUS LAUNOS. POIS A LITERATURA TEM UMA GRANDE FONTE DE CONHECIMENTO, E É ISSO QUE TENTO FAZER, MOSTRAR ALGO PARA QUE OUTROS POSSAM MOSTRAR COM CLAREZA.
OBRIGADO AOS QUE ESTIVERAM LÁ, E QUANDO VIEREM NA ALDEIA KRUKUTU ONDE MORO, IRÃO CONHECER ESSE NOVO LIVRO RECENTE E PODEREMOS CONVERSAR MAIS.
olicviojekupe@yahoo.com.br

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

FEIRA DO LIVRO INDIGENA EM MATO GROSSO

FOI NO MES DE OUTUBRO DE 2009 QUE ACONTECEU O PRIMEIRO ENCONTRO PATROCINADO POR UMA SECRETARIA DE CULTURA DO ESTADO, E FOI EM MATO GROSSO, E QUERO DIZER QUE FOI ÓTIMO, UM GRANDE EVENTO E QUE PUDEMOS MOSTRAR NOSSA CAPACIDADE DE ESCRITOR, ILUSTRADORES E CANTORES.
TEVE A PARTICIPAÇÃO DO SECRETARIA DA CULTURA E QUE MOSTROU MUITO INTENRESSE NA QUESTÃO, E DISSE QUE POR ELE, NO RPÓXIMO ANO TERÁ OUTRO ENCONTRO E OUTROS.
ISSO ME DEIXOU MUITO FELIZ PORQUE QUANDO INICIEI ESCREVER EM 1984, NÃO HAVIA LITERATUREA ESCRITA, ISTO É, POR INDIOS, MAS ELA JÁ EXISTE HÁ SÉCULOS ESCRITA POR NÃO INDIOS, MAS ERA UMA VIDA DIFICIL NAQUELE TEMPO, MAS EU ACREDITAVA QUE MOSTRANDO AO POVO A LITERATURA UM DIA A SOCIEDADE IRIAM CONHECER E AOS POUCOS VALORIZAR MAIS, E O ENCONTRA MOSTRA ISSO, TEMOS VÁRIOS AUTORES INDIGENAS, E DE VÁRIAS ETNIAS. E ATRAVÉS DOS LIVROS PUBLICADOS, A LITERATURA COMEÇOU A SER MAIS VALORIZADO E NOSSO POVO SENDO RECONHECIDO.
AGORA TEMOS AUTORES INDIGENAS QUE MORAM NAS CIDADES, OUTROS NAS ALDEIAS, MAS QUE ESCREVEM MUITO BEM E QUEM LER UM LIVRO ESCRITO PELOS PÓVOS INDÍGENAS, TENHO CERTEZA QUE IRÃO GOSTAR MUITO.
TAMBÉM FIQUEI FELIZ AO VER PESSOAS QUE VIERAM ME CUMPRIMENTAR E FICARAM FELIZES AO ME CONHECER, PORQUE JÁ TINHAM MEUS LIVROS, OUTROS SÓ DE NOME, MAS TIVERAM A OPORTUNIDADE DE ME CONHECER E TER OS LIVROS E AUTOGRAFADOS.
AOS LEITORES QUE AINDA NÃO LERAM UM LIVRO DE AUTORE INDIGENA, NÃO DEIXEM DE LER UM, POIS IRÃO GOSTAR MUITO.
OLIVIO JEKUPE.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Literatura tribal

terça-feira, 11 de agosto de 2009

MEU NOVO LIVRO

MEU NOVO LIVRO TEM COMO TITULO- LITERATURA ESCRITA PELOS POVOS INDIGENAS.
ESSE É O TITULO QUE RESOLVI ESCREVER, ALIÁS, É UM LIVRO QUE SERÁ MUITO IMPORTANTE PARA OS PROFESSORES DA REDE DE ENSINO. POIS MUITOS NÃO TEM O COSTUME DE VER LIVROS ESCRITOS PELOS POVOS INDIGENAS, SIM É VERDADE, NÃO É QUE NUNCA OUVE ESCRITORES INDIGEAS. SEMPRE TEVE ESCRITORES INDIGENAS, É QUE ANTES NÃO TINHA INDIOS QUE SABIAM LER NEM ESCREVER, E OS ANTROÓLOGOS E OUTROS IAM NAS ALDEIAS E GRAVAVAM AS HISTÓRIAS DOS INDIGENAS, ISSO É HÁ SECULOS, E NISSO OS LIVROS ERAM PUBLICADOS NOS NOME DELES, POR ISSO É QUE HÁ SÉLUCLOS NÃO SE FALAM EM ESCRITORES INDIGENAS, E NA VERDADE ESSES CONTADORES DE HISTÓRIAS ERAM NA VERDADE GRANDES ESCRITORES, MAS FORAM APENAS USADOS E OUTROS GANHARAM, AGORA TUDO ESTÁ MUDANDO, OS INDIGENAS DE TODO O CANTO DO BRASIL ESTÃO APRENDENDO A LER E ESCREVER, E COM ISSO O PRÓPRIO POVO INDIGENA ESTÁ ESCREVENDO SEUS CONTOS, SUAS HISTÓRIAS, SEUS MITOS, SUA POESIAS.
E NESSE S´CULO, MUITOS IRÃO CONHECER MUITOS AUTORES INDIGENAS.
E ENTRE ELES ESTÁ EU:
OLIVIO JEKUPE E MUITOS OUTROS COMO:
KEREXU MIRIM, NAINE TERENA, MARIA KEREXU, NILSON KARAÍ, GISELDA JERÁ, CARLOS PAPÁ, LUIZ CARLOS KARAÍ, LUCIO TERENA, DARLENE TAUKANE, MANOEL MOURA E OUTROS QUE ESTÃO SUGINDO POR AÍ.
olivio jekupe- escritor e poeta e presidnete da associação guarani nhe´e porã.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Olivio Jekué em Mato Grosso

Pois é meus amigos, no ano de 2009, no mes de Outubro irá acontecer um grande evento em Mato Gosso, onde o contato é a Naine Terena, e eu fui convidado a fazer parte desse evento onde terá a participação de varios outros autores indígenas de todos os cantos do Brasil e de varias etnias.
Saber que irá acontecer um encontro desse me deixa emocionado, porque mostra que os escritores indígenas estão cada vez mais crescendo e sendo reconhecido por todos os Brasileiros.
Lembro que em 1984, eu comecei a escrever meu primeiro romance e que tenho ele até hoje escrito a mão, depois minhas primeiras poesias. E a partir daquele ano comecei a dizer que eu era escritor e que um dia eu ia conseguir publicar meu livro- ou varios. E aí o tempo foi passando, e eu aprendendo com a vida, mas sofrendo por não saber como chegar até lá...
Mas eu acreditava em mim mesmo, e muitos índios achavam engraçado, talvez por não ser comum ver um indio escritor, então muitos talvez não acreditava que eu ia conseguir um dia publicar algum livro. As vezes os não indios também riam, e não acreditava, pois naquela década não se via indios escritores.
o tempo foi passando e continuei minha vida de escritor, escrevendo e publicando materias em jornais, revistas, e sempre divulgando que eu era um escritr, mesmo não tendo nenhum livro publicado.
Com o passar dos anos, comecei a fazer parte de uma editora Scortecci, e publicar junto a outros autores, antologia poética.
Jé em 1993, publiquei meu pirmeiro livro de poesias.
Hoje já tenho outros livros publicados:
Leópolis inesquecivel, 500 anos de angústia, xereké arandu a morte de kretã, iarandu o cão falante, verá o contador de história, arandu ymanguare, ajuda do saci, o saci verdadeiro, indiografie. Esses livro consegui publicar, mas foi uma luta dificil.
mas hoje o que quero dizer é que com o passar do tempo, o conhecimento da literatura indíugena começou a ser reconhecido e ser mais valorizada e o importante é que as Editoras começaram a se interessar por autores indígenas. Sendo assim outros autores começaram a surgir e agora estão tendo seus espaços e isso é bom, porque a sociedade irá valorizar muito mais o povo indígena.
Nós escitores indígenas, temos uma grande missão, defender nossa gente, através da escrita.
Olivio Jekupe- escritor e poeta.comunidade guarani- aldeia krukutu-são paulo.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

MICHAEL JACKSON E OLIVIO JEKUPE

PRA MIM TAMBÉM FOI UMA TRISTEZA QUANDO OUVI PELA TELEVISÃO QUE MORRIA O MAIOR CANTOR QUE EU ADMIRAVA, ELE NÃO ME CONHECIA, MAS UM FÃ SE TORNA AMIGO A PARTIR DO MOMENTO QUE A GENTE SE APAIXONA PELA SUA MÚSICA, EU NUNCA ENTENDI INGLÊS, MAS EU SABIA QUE O QUE ELE CANTAVA ERA BOM.
FOI EM 1984 QUE COMECEI A ADMIRAR SUAS MÚSICAS E SEU JEITO DE DANÇAR.
POR ISSO, MINHA ADOLESCENCIA FOI MUITO BOA PORQUE OUVI SUAS MÚSICAS NOS RADIOS E TELEVISÕES.
SEI QUE ELE´ERA UM GÊNIO, POIS PESSOAS ASSIM, SÃO ABENÇOADAS POR UM CRIADOR, QUE DÁ OS DONS PARA ELES NOS ALEGRAR. POR ISSO EM TUDO NA VIDA UM CRIADOR ESCOLHE ALGUÉM PARA SER ASSIM OU ASSADO, E ELE FOI O ESCOLHIDO PARA SER ADIMIRADOS POR TODOS, ASSIM COMO EU, UM DOS ADMIRADORES EM QUE SE TEM EM TODO O MUNDO.
E AGORA COM SUA MORTE MUITOS QUE ZOMBAVAM DELE E QUE O CRIMINARAM TALVEZ POR GANHAREM INDENIZAÇÕES, TAMBÉM IRÃO CHORAR SUA MORTE PORQUE NÃO SOUBE ADMIRÁ-LO.
OS IDOLOS PODEM MORRER, MAS NUNCA ESQUECIDO POR ISSO SEI QUE ESSE GRANDE GÊNIO FICARÁ NA HISTÓRIA PARA ALEGRAR SEUS FÃ E TRAZER MUITOS OUTROS QUE NÃO ERAM E GERAÇÕES IRÃO FALAR DELE.
VAI EM PAZ MEU ÍDOLO E QUE AQUELE QUE TE DEU TODO ESSE PODER ESTEJA COM VOCÊ

segunda-feira, 22 de junho de 2009

IMIGRAÇÃO EUROPEIA-INVASÃO

POIS É, DE UNS TEMPOS PARA CÁ, A GENTE SE VE FALANDO MUITO DE COMEMORAÇÕES DAS CHEGADAS DOS INVAORES QUE VIERAM DA EUROPA PARA CÁ, COMEMORAÇÃO DOS JAPONESES, DOS ITALIANOS, ALEMÃES E OUTROS, ALIÁS FUI CONVIDADO PARA ASSISTIR UM DESSES EVENTOS E FIQUEI REPARANDO O DISCURSO DOS FALANTES MAS EM TODOS ESSES EVENTOS NUNCA SE FALA NOS POVOS INDÍGENAS, POIS ELES SABEM MUITO BEM QUE HOJE ESSES DESCENDETES DE EUROPEUS HOJE SÃO RICOS, MAS SE ELES TEM TUDO ISSO, É PORQUE TIVERAM QUE TIRAR MUITOS INDIOS DE SUAS TERRAS. E COM A CHEGADA DELES PERDEMOS MUITAS TERRAS SEM CONTAR O QUANTOS INDIOS TIVERAM QUE MORRER PARA PROTEGER SEU POVO.
ENTÃO QUERO DIZER QUE MAIS EUROPEUS IRÃO COMEMORAR SUAS INVASÕES, MAS NADA IRÁ NOS ALEGRAR.
POE ISSO, LEMBREM QUE TODOS PISAM EM TERRAS INDÍGENAS, MESMO QUE NÃO SOMOS DONOS DESSSAS TERRAS OFICIALMENTE, MAS SOMOS DIANTE DAS HITÓRIAS, E NÃO ESTAMOS AQUI HÁ SÉCULOS, MAS HÁ MILENIOS.
OBRIGADO E ESPERO QUE ENTENDA.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

QUANDO ME TORNEI ESCRITOR

POIS É MEUS AMIGOS, NASCI EM 1965, E DESDE CEDO GOSTEI DE LER, E DEPOIS QUE APRENDI A LER ME SENTI FELIZ AO LER POESIAS E LIVROS INFANTIL COMO LIVROS DO MONTEIRO LOBATO.
AOS 15 ANOS DE IDADE COMECEI A RABISCAR ALGUMAS COISAS, ESCREVENDO POESIAS E ALGUMAS IDÉIAS QUE SURGIA NA MINHA MENTE, E NISSO COMECEI A PENSAR QUE NÓS INDÍOS PODEMOS LUTAR MUITO EM DEFESA DE NOSSO POVO ATRAVÉS DA ESCRITA. SE OS JURUA KUERY- NÃO ÍNDIOS SE DEFENDEM ASSIM, NÓS TAMBÉM PODEMOS FAZER O MESMO. CONTINUEI ESCREVENDO, MAS POR SER NOVO AINDA NÃO ENTENDIA MUITO BEM AINDA MUITAS COISAS.
QUANDO FOI EM 1984, DESCOBRI ALGO, ACREDITEI DESCOBRI QUE EU NA VERDADE ERA UM ESCRITOR E A PARTIR DAÍ, COMECEI A ESCREVER ROMANCE E OFICIALIZEI DIZENDO A TODOS QUE SOU ESCRITOR, E NISSO TODAS AS VEZES QUE EU FALAVA COM ALGUÉM EU DIZIA ISSO, PRINCIPALMENTE QUANDO JÁ NESSA ÉPOCA ME CHAMAVAM PARA DAR PALESTRAS.
O TEMPO FOI PASSANDO E O GOSTO PELA ESCRITA SEMPRE AUMENTANDO E APROVEITAVA TUDO PARA MOSTRAR O QUE EU ESCREVIA, AS VEZES EM PEQUENOS JORNAIS QUE TIVE OPORTUNIDADE. SAÍ NO JORNAL- AVOZ DO POVO, CORNÉLIO PROCÓPIO, NA FOLHA DE LONDRIANA.
DEPÓIS MUDEI PARA CURITIBA E PUDE PARTICIPAR DA FEIRA DO POETA, LÁ PUDE MOSTRAR MINHAS POESIAS PARA OUTROS POETAS E NAS PALESTRAS QUE FIZ E OUTROS PEQUENOS JORNAIS. UM DIA DEI UMA ENTREVISTA NO JONAL NICOLAU DE CURITIBA, ELE SAIA JUNTO NA GAZETA DO POVO E LÁ SAIU UMA POESIA MINHA QUE FICOU MUITO LINDA E ESSA POESIA CHEGOU ATÉ UMA MULHER QUE SE CHAMA GRAÇA GRAÚNA NO NORDESTE, ELE TEM ESSA MATÉRIA ATÉ HOJE E DIZ QUE É MINHA FÃ DESDE AQEUELS TEMPOS- 1988.
COM O PASSAR DO TEMPO CONSEGUI PUBLICAR MEU PRIMEIRO LIVRO, UMA PUBLICAÇÃO INDEPENDENTE, O TÍTULO- LEÓPOLIS INESQUECÍVEL- 1993, OUTRA PUBLICAÇÃO INDEPENDENTE, JÁ EM LONDRINA, 500 ANOS DE ANGUSTIA,1999.
NESSA ÉPOCA COMECEI A VENDER MEUS LIVROS PARA OS AMIGOS QUE VINA NA ALDEIA.
AGORA JÁ TENHO OUTROS LIVROS, COM EDITORAS CONHECIDAS, COMO UEL, PEIRÓPOLIS, EVOLUIR, DCL, E UMA COLETANEA PUBLICADA NA ITÁLIA.
SEI QUE MINHA VIDA DE ESCRITOR FOI DIFÍCIL, MAS PRAZEROSA, E CONTINUAREI ESCREVENDO LITERATURA INDIGENA PORQUE ACREDITO QUE ELA AJUDARÁ AOS INDÍGENAS E NÃO INDÍGENAS.
OBRIGADO POR AQUELES QUE JÁ LERAM MEUS LIVROS E SEMPRE DIZENDO QUE ESCREVO MUITO BEM, AGORA VOCE QUE JÁ LEU ALGO MOSTRE PARA OUTROS.

OLIVIO JEKUPÉ- ESCRITOR E POETA- CONTOS E ROMANCE.
oliviojekupe@yahoo.com.br

quarta-feira, 1 de abril de 2009

REPORTAGEM - REVISTA ÉPOCA - SP

Caminho das índias

POR JEANNE CALLEGARI

Os guaranis que vivem na reserva de Parelheiros viraram atração. Agências de turismo ecológico guiam cada vez mais estrangeiros e paulistanos às duas aldeias


MAMÃE CORAGEM
A índia guarani Fernanda da Silva, de 18 anos, na estrada que leva
ao centro da aldeia Krukutu

Nada de curry, ensinamentos budistas, vacas sagradas ou enredos bollywoodianos. A pacata vida das índias guaranis que moram em áreas de proteção ambiental no extremo sul do município de São Paulo não tem nada a ver com a novela das 8 que faz sucesso na TV Globo e é ambientada na Índia.

Ainda assim, a “audiência” do cotidiano das indígenas está em alta. Ir até as aldeias virou uma inusitada atração turística, fazendo florescer na região um polo de ecoturismo sustentável.

A aldeia Tenondé-Porã tem 800 moradores, e a Krukutu tem 230. Ambas ficam às margens da Represa Billings, dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) de Capivari-Monos, a aproximadamente 40 quilômetros do Centro. Quem chega lá até esquece que ainda está dentro dos limites do município de São Paulo – a densa Mata Atlântica, a rica fauna e os rios de água pura mais parecem uma paisagem da Amazônia. Para quem quiser embarcar nessa aventura, é recomendável ligar (5977-3689 ou 5977-0025) e agendar uma visita com antecedência: os índios preferem assim.

Quem quiser pode ir por conta própria, de ônibus urbano a partir do Terminal de Parelheiros, mas algumas agências organizam visitas guiadas à área. A Trip on Jeep, por exemplo, cobra R$ 195 pelo tour de oito horas, incluindo transporte e almoço. A próxima excursão está marcada para 21 de março. “Nossos clientes são gente que vive aqui mesmo, na capital, mas que sempre imaginou que só teria contato com tribos nativas em lugares distantes. Também levamos pessoas de outras cidades e até mesmo de outros países, que vêm a São Paulo e querem conhecer nossas belezas naturais”, diz Magna Carvalho, dona da agência.


Segundo a Aecotur (Associação dos Empreendedores de Ecoturismo da APA Capivari-Monos), a região atraiu 120 mil visitantes em 2008, mas em breve esse número pode saltar para 250 mil pessoas.

“Essa ainda não é uma modalidade de turismo que tem a cara de São Paulo. Nossas reservas ambientais ainda estão fora do circuito compras-negócios-eventos, que é o que traz a maioria esmagadora dos visitantes à cidade”, diz Leandro Caetano, gestor da APA Capivari-Monos na Secretaria do Verde e do Meio Ambiente (SVMA). “Mas estamos trabalhando para mudar isso.”


A visita às aldeias é parte de um projeto de ecoturismo para a região das APAs que envolve também trilhas e visitas à Cratera de Colônia, à Reserva Particular de Patrimônio Natural Curucutu, à estação ferroviária Evangelista de Souza e a parte das bacias hidrográficas das represas Billings e Guarapiranga. “Como a área é de preservação, a melhor alternativa para gerar renda, sem gerar impacto no meio ambiente, é o ecoturismo”, diz Luís Rogério Muniz, gerente da região no Sebrae. Para fomentar esse negócio, o Sebrae lança este mês, em parceria com a SPTuris e com a SVMA, um catálogo com as atrações turísticas do local.

O turista que chega à Krukutu depara com uma construção redonda, alta, com azulejos de motivos indígenas. Pendurada nela, uma faixa em português e em guarani dá as boas-vindas ao visitante. É a casa de apresentações, onde os índios mostram sua dança e seu canto aos turistas. Nessas ocasiões, eles vestem uma indumentária especial, de festa, com colares e penas. À parte isso e as festas da aldeia, as roupas usadas por eles são as mesmas dos brancos: saias, calças, camisetas. Uma ou outra camisa de time de futebol sobressai.


SINAIS DE FUMAÇA
O karaí Nilson Werá fuma seu cachimbo petygua na aldeia Krukutu. À vontade com a presença dos visitantes, as crianças brincam com um celular ou se refrescam na Billings


MADE IN KRUKUTU
Maria Benite Oliveira, de 22 anos, e um dos cestos de bambu
trançados pelas índias da aldeia

O coral é presidido pelo cacique, Karaí de Oliveira. É ele o responsável por regular as relações sociais entre os índios e por falar com o homem branco. Também é ele que autoriza – ou não – os casamentos no local. “O cacique não ganha nenhum salário. Eu quis ser não para ganhar benefícios, mas para ajudar a comunidade”, diz Karaí. Aos 24 anos, ele parece muito jovem para comandar as 40 famílias da aldeia. Mas a comunidade o aceitou como líder.

A maior briga do cacique é para ampliar as terras da aldeia. Nos 25 hectares da Krukutu, o espaço é pequeno para plantar e caçar. “Poderíamos derrubar a mata que sobra, mas não seria suficiente para alimentar as famílias e perderíamos algo que muito prezamos: o contato com a natureza”, diz Olívio Jekupé, presidente da Associação Guarani Nhe’em Porã. Para que os índios não precisem sair da aldeia para trabalhar, a associação construiu uma loja para vender artesanato aos turistas e lutou para que empregos fossem criados no próprio local. Na lojinha, há colares, pulseiras, arcos, flechas, cestos de bambu, cuias, cocares, bonecas e bichos de madeira. Tudo feito por eles.

Para complementar a renda, as escolas locais e o posto de saúde empregam assistentes e monitores que moram na aldeia. Os índios também contam com programas governamentais, como o Bolsa Família e o auxílio-maternidade. Por causa desse último, a maioria das pessoas que tem registro civil na aldeia é de mulheres. “É uma burocracia para tirar os documentos dos adultos. Tem que ir à cidade várias vezes, levar testemunhas. Demora um ano pra conseguir”, diz Olívio, que tem quatro filhos registrados e com todos os documentos “dos brancos”.


Além de presidente da associação, Olívio é escritor. Já publicou sete livros, entre eles Ajuda do Saci (Editora DCL), uma obra de literatura infanto-juvenil sobre o kamba’i, ou saci, um mito originalmente indígena. A filha dele, Kerexu Mirim, de 14 anos, também já escreveu um livro. A Índia Voadora (edição independente) é sobre a realização de seu sonho de voar, ao passear de helicóptero com a prefeita Marta Suplicy, em 2003. “A princípio, escola não é coisa de índio, escrever não é coisa de índio. Mas as armas do branco acabaram se tornando nossa defesa, e a gente as usa para manter nossa cultura”, diz Olívio.

Com a criação da associação, em 2001, muitas armas do juruá, o homem branco, foram chegando à aldeia. Primeiro, foi o orelhão. Depois, um posto de saúde. Hoje há ainda duas escolas, lojinha para artesanatos e uma sede para a associação. Muitos vistantes se espantam com a presença de telefones celulares, mas isso não significa que os guaranis se tornaram aculturados. “Eles usam nossa tecnologia para manter a cultura deles”, diz o antropólogo Moreno Saraiva Martins, que fez sua tese de mestrado sobre os guaranis. Assim, a internet é usada para divulgar visitas à aldeia para as escolas, por meio do site da associação (www.culturaguarani.
com.br); o site de relacionamentos Orkut, para encontrar gente de outras aldeias; o carro, para ir visitar os parentes em outras cidades. “A gente recebe crítica de todo lado. Se o índio é atrasado, é primitivo; se é avançado, deixou de ser índio”, diz Olívio.

No coração da aldeia, fica o Centro de Educação e Cultura Indígena (CECI), frequentado por crianças de até 6 anos. As aulas são em guarani, e os professores, da própria aldeia. “Ensinamos coisas sobre nossa religião e cultura, como artesanato e as épocas de plantio
tradicionais”, diz o coordenador Marcos Tupã. Lá, os pequenos aprendem que há dois ciclos na natureza: o tempo velho, que corresponde ao outono e ao inverno, e o tempo novo, equivalente ao verão e à primavera. No tempo novo, tudo nasce, a floresta se renova. É a época das colheitas e do batismo das crianças.

As crianças aprendem sobre Nhanderu, o deus guarani, criador de todas as coisas. Descobrem por que é que tantos guaranis moram próximos ao litoral: é que depois do mar encontra-se a Terra Perfeita, um “lugar privilegiado, indestrutível, em que a terra produz por si mesma os seus frutos e não há morte”, como escreveu a antropóloga Hélène Clastres, no livro Terra sem Mal (Editora Brasiliense). É possível chegar a essa terra ainda em vida, pois o objetivo da religião é que as pessoas se tornem semelhantes aos deuses, imortais como eles; mas só quem está preparado consegue.


ESTUDO
Na escola de educação infantil, os índios são professores e as aulas são em guarani

Por falar em escola, muitos estudantes da capital visitam as aldeias e aproveitam para aprender muita coisa por lá. Segundo Júlia Masson, de 42 anos, coordenadora pedagógica do Colégio Integrado Diadema, lá seus alunos deixam de lado os preconceitos em relação ao índio. “As crianças só ouvem falar dos indígenas no Dia do Índio ou em documentários da TV. Vê-los ao vivo é extremamente enriquecedor”, diz. “O bacana de ir às aldeias é que é uma ótima oportunidade de conhecer uma cultura que não é a sua, uma vivência que não é a nossa. É fascinante poder observar meninos e meninas de culturas diferentes, que não falam a mesma língua, brincando juntos. Os alunos vão pela curiosidade, para ver o diferente, mas voltam cheios de novos conhecimentos e respeitando muito mais a cultura do índio.”

Na escola, alguns dos convidados para ensinar as tradições são os líderes espirituais, chamados de karaí opygua. Os brancos insistem em chamá-los de pajés, mas os karaí não gostam muito. Também responsáveis pelas curas e pelas cerimônias culturais, os karaí opygua ensinam as crianças sobre as criaturas e as ervas da floresta. “Para ser karaí, a pessoa tem que ter o coração forte”, explica o sábio Nilson Werá Mirim, de apenas 28 anos. Não é missão para qualquer um. Os guaranis acreditam que cada pessoa tem um dom. O dos karaí é revelado a eles em sonhos, pelo próprio deus. “Faz 12 anos que Deus me iluminou”, diz o karaí Laurindo Veríssimo, de 59 anos. O velho xamã está sempre disponível: vai aonde precisam dele para rezar, para curar. Hoje em dia, tem até branco que vai à aldeia se consultar com ele.


“Quando visitei a aldeia, fiquei impressionado com o pajé. Ele mostrou como lida com as ervas, e achei interessante a vida que eles levam, ligada à natureza”, conta Antonio Fernandes, administrador de empresas de 39 anos. “A abundância de plantas disponíveis é marcante: eles têm remédio para tudo que é coisa lá. Antigamente, não tínhamos farmácia. A farmácia era o quintal da avó, com suas plantas e ervas.”

Os guaranis têm muito orgulho de sua religião. Todos os dias, Márcia Poty, de 37 anos, vai à Casa de Reza, uma construção de taipa em que o karaí lidera os trabalhos. As pessoas começam a chegar no pôr-do-sol. Ali dentro, reina a fumaça do petygua, um cachimbo que todos “pitam”. O pajé fuma até passar mal, até limpar o espírito. Ali, ele também realiza curas e prescreve ervas para tratar quem está doente.

Mas às vezes a doença não é espiritual, é algum mal que o branco trouxe. Nesse caso, o xamã encaminha a pessoa para o posto de saúde, que tem dentista e médicos à disposição. “Eu respeito a cultura deles e eles me respeitam”, diz a médica Paula Aragão, que atende há dois anos nas aldeias Krukutu e Tenondé-Porã. Ali, no postinho que a associação conseguiu instalar, ela atende crianças como Bianca, de 2 anos, e Serena, de 6. As duas são irmãs e estão ali para fazer inalação. Bianca tem asma, precisa ir sempre. Serena tem broncoespasmo. As duas são filhas de Brisa da Silva Santos, de 26 anos, mãe de 6 filhos. Como muitos guaranis, Brisa nasceu em outra aldeia (a Araponga, em Parati). Veio visitar a irmã e acabou ficando.


PARAÍSO GUARANI
Representantes de quatro gerações de indígenas diante da Represa Billings e do campo de futebol da aldeia Krukutu

Os guaranis se mudam muito, de uma aldeia para outra, sempre em visita aos parentes. Eles não são nômades: têm residência fixa e podem ficar em uma aldeia por décadas. Normalmente, quem muda são os homens. Eles saem da aldeia para se casar e agregam-se à família da esposa.

Como vão menos à cidade, as mulheres têm pouco contato com o homem branco. Não é regra, mas costuma ser função do homem dialogar com visitantes. Assim, nem todas falam português. E as que falam não têm fluência e são quietas. Os homens, mesmo os que falam bem o português, costumam ser caladões, lacônicos. “Para os guaranis, a palavra é sagrada. Eles não a usam em vão”, diz o antropólogo Moreno.

A dificuldade de comunicação não impede, no entanto, que ao final de um dia de trabalho muitos assistam à TV e alguns, por coincidência, acompanhem a novela citada no início do texto. “Vamos dormir assim que termina a novela Caminho das Índias”, conta Kerexu de Oliveira, de 17 anos. Assim, as rocambolescas desventuras amorosas e os ensinamentos místicos do folhetim de Glória Perez podem não ter nada a ver com a vida das jovens guaranis, mas certamente povoam os sonhos e o imaginário dessas moças.

quarta-feira, 18 de março de 2009

meus livros


Sou escritor e autor de vários livros de literatura indígena, sei que não sou o maior escritor do Brasil...
Espero que meus livros possam ter contribuído com os leitores indígenas de várias nações e para os não indígenas também.
Gosto muito de dar algumas palestras sobre a literatura indígena então se voce estiver precisando é só entrar em contato comigo.
Já leu meu livro, agradeço muito porque são os leitores que faz com que a gente creça mais. obigado.

Reportagem antiga...

Atuante, o guarani Olívio Jekupé é um
incansável defensor da cultura indígena.
Alfabetizado em uma escola do estado no norte do Paraná, Olívio Jekupé começou a escrever poesia aos 15 anos. Residindo na aldeia Laranjinha, local humilde com dificuldades por falta de terra, com muito esforço conseguiu cursar Filosofia (de 1988 a 1990) na PUC Paraná, mas após muito sofrimento por causa do frio e falta financeira, foi obrigado a abandonar o curso.

Novamente em 1992, já em São Paulo, retornou ao curso na Universidade de São Paulo (USP) que, após três anos de estudos, foi obrigado a deixá-lo mais uma vez devido aos recursos financeiros.

Tendo realizado palestras em diversos estados do país, além da Itália, através de convites, Olívio Jekupé participa da divulgação de suas publicações através também de cursos, ministrados por ele, onde aborda as questões gerais indígenas no Brasil: o problema de saúde; as escolas nas aldeias; o racismo; a importância da cultura do povo guarani e a importância da literatura na escrita pelo índio, entre outros. Sendo, através destes meios que obtém os recursos para sustentar seus quatros filhos.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

A FLORESTA

SEI QUE VIVO NO MEIO DA MATA E POSSO DIZER QUE SINTO FELIZ AO VIVER A VIDA NO MATO, TALVEZ MUITOS NÃO GOSTAM DESSA VIDA, POIS PREFEREM A VIDA DA CIDADE GRANDE, SEI QUE PARA MUITOS É DIFÍCIL VIVER NO MATO, MAS ACREDITO QUE A VIDA NO MATO ME TRAS FELICIDADE E SAÚDE...

o saci verdadeiro, meu livro

ESSE LIVRO QUE PUBLIQUEI EM 2000, CONTA A HISTÓRIA DO SACI INDÍGENA QUE TEM PODERES, QUE PODE AJUDAR O POVO NA MATA, É PROTETOR DA FLORESTA.
ESSE LIVRO É O PRIMEIRO QUE ESTÁ SENDO ESCRITO DE UMA FORMA DIFERENTE DAQUELA DE MONTEIRO LOBATO.
O LIVRO SE CHAMA- O SACI VERDADEIRO, EDITORA UEL, UNIVERSIDADE DE LONDRINA.
ESPERO QUE AO LER ESSE LIVRO POSSA ENTENDER PORQUE EU QUIS MOSTRAR AO MUNDO A HISTÓRIA DESSE PERSONAGEM QUE TEMOS NA FLORESTA

O saci está aí

POIS É EM GUARANI O SACI ´CONHECIDO POR KAMBAÍ, MAS TAMBÉM CONHECIDO POR JAXI JATERE, E MUITOWS NÃO TEM NOÇÃO DESSA HISTÓRIA, MAS AOS POUCOS IRÃO CONHECER PORQUE JÁ FAZ MUITOS ANOS QUE VIVO CONTANDO E FALANDO AO PÚBLICO BRASILEIRO E UM DIA TODOS CONHECERÃO ESSA HISTÓRIA, MAS PARA QUE NOSSO JAXI JATERE CONTINUE VIO É PRECISO QUE A MATA NÃO SEJA DESTRUÍDA POIS DO JEITO QUE ESTÁ PODERÃO EXTERMINAR NOSSO GRANDE HERÓI DA HISTÓRIA INDÍGENA E BRASILEIRA.

domingo, 25 de janeiro de 2009

O saci tem duas pernas e é índio



O Saci é um personagem que está escrito em meus livros, publiquei em 2000 um deles que tem como título – “O saci verdadeiro”- e foi publicado na editora UEL, Londrina.
Esse livro foi uma forma que tentei mostrar que o personagem é indígena e que é contado até os dias de hoje nas aldeias guarani.
Sou o primeiro que publiquei esse assunto no Brasil mostrando a diferença daquela que monteiro lobato escreveu.
E estou feliz por saber que já fiz algumas matérias em televisão, documentários, revistas e jornais sobre o personagem que ficou na história como uma criação minha. Agradeço aos que fizeram tese sobre o assunto do saci e comentam sobre essa história.
Sei que um dia o Brasil todo irá comentar sobre minhas histórias que escrevi e que comento até os dias de hoje sobre o saci indígena e que para nós da aldeia tem uma grande importância porque sua função na natureza é muito importante.
Quem nunca viu meus livros pode me achar no orkut e no meu perfil irá ver o nome de todos os meus livros - Olivio Jekupé, também tem na comunidade orkut – “Ajuda do Saci.”
Em vários livros que pretendo publicar sempre terá o personagem - o saci indígena.

O SACI É INDIO

NÃO SEI SE VOCES JÁ OUVIRAM FALAR QUE O SACI NA VERDADE É UM PERSONAGEM INDÍGENA E QUE TEM DUAS PERNAS, É PROVÁVEL QUE NÃO OUVIRAM AINDA, POIS EU FUI O PRIMEIRO QUE ESCREVEU DOIS LIVROS QUE FALA SOBRE ESSE PERSONAGEM, TENHO DOIS LIVROS COM O TÍTULO- AJUDA DO SACI, EDITORA DCL, E O OUTRO QUE SE CHAMA- O SACI VERDADEIRO, EDITORA UEL. NOS MEUS LIVROS EU TENTO MOSTRAR QUE O PERSONAGEM TEM DUAS PERNAS E É UM ÍNDIO, DIFERENTE DA VISÃO DO MONTEIRO LOBATO.
E SEI QUE JÁ TEM DOCUMENTÁRIOS SOBRE ESSE TEMA, E MUITAS MATÉRIAS QUE FALEI PARA JORNALISTAS, E ATÉ TESES DE MESTRADO SOBRE O TEMA, COMO FEZ A ESCRITORA GRAÇA GRAÚNA ONDE ELA FALA DO MEU LIVRO, O SACI VERDADEIRO.
É IMPORTANTE QUE TODOS POSSAM CONHECER ESSE PERSONAGEM ONDE TENTO MOSTRAR E QUE NAS ALDEIAS GUARANI É COMUM OUVIR SOBRE ELE.
SEI QUE UM DIA MINHAS HISTÓRIAS SERÃO TÃO CONHECIDA QUE SEREI CONVIDADO PARA DAR PALESTRAS EM VÁRIOS CANTOS DO BRASIL, DE NORTE A SUL DO BRASIL
NO ORKUT PODEM ACHAM UMA COMUNIDADE QUE FALA DO MEU LIVRO- AJUDA DO SACI.
ABRAÇO A TODOS OS QUE IRÃO CONHECER O SACI INDIGENA QUE TEM DUAS PERNAS E É INDIO.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Mídia Nativa

Bom, quero falar que nesse ano de 2008, aconteceu o segundo evento da Mídia Nativa, e fui convidado mais uma vez para falar sobre a literatura indígena e pude falar tudo o que penso e o que espero desse surgimento e comentei da importância que tem a escrita pelos povos indígenas.
Sei que temos grandes escritores indígenas e que através dos seus trabalhos, muitos serão conscientizados. Essa é a missão dos escritores, mas também comentei que o povo indígena sempre sofreu um grande pré0conceito pela a sociedade e assim nossos livros também serão e por isso é importante que as pessoas que trabalham com a questão indígena conheça os livros dos escritores e que dê apoio porque senão nossos livros serão discriminados ou assassinados, sendo esquecidos nas livrarias.
E quero comentar que nesse dia 25 de Março onde nós comentamos sobre os temas falado pelos participantes esteve presente falando além de mim, o Marcos Terena, Naine Terena, e no final, já de noite esteve falando uma índia do Canadá, em francês, e por sorte ela quis conhecer uma aldeia e nisso ela foi conhecer a nossa aldeia, que é conhecida como Krukutu.
Bom, espero que essas poucas palavras que comentei nesse texto possa ter contribuído na parte da literatura.
E quem quiser conhecer o meu último livro que lancei, veja:
Ajuda do Saci, Editora DCL.www.editoradcl.com.br

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007



Indianidade/outridade em Olívio Jekupé

por Graça Graúna(*)









Etnia e Síntese biobibliográfica
v OS GUARANI

As observações acerca deste grupo vêm da Associação Guarani Nhe'em Porã, fundada em 1999, pelo escritor Olívio Jecupé e seus parentes indígenas Marcos Tupã e Geraldo de Paula.
A Aldeia Krukutu localiza-se a 50 quilômetros da cidade de São Paulo. Possui vinte e seis alqueires de mata atlântica preservada, onde convivem 30 famílias guarani, com aproximadamente cento e quarenta pessoas. O seu cotidiano é marcado por atividades culturais, com passeios turísticos, venda de livros, artesanato, filmagens e outras manifestações culturais.
No contato com os turistas que visitam a aldeia, os Guarani procuram desconstruir as idéias ligadas ao povo indígena, mostrando-lhes como mantêm viva a cultura indígena. Com a Associação também foi criado o grupo de arte e cultura Guarani Kyringué Nheem (coordenado por Marcos Tupã), inicialmente composto por um coral de crianças que passaram a realizar apresentações dentro e fora da aldeia. Segundo a Associação Guarani. Na opinião de seus integrantes:

mesmo com a organização dos trabalhos os investimentos na aldeia continuaram ínfimos. [...] Nem o governo do Estado de São Paulo nem a prefeitura municipal concretizaram qualquer obra reivindicada na aldeia. Não temos escola e a estrada de acesso está em situação crítica. De importante podemos citar [...] a construção de um poço artesiano [que] conseguiu diminuir sensivelmente a taxa de mortalidade infantil na aldeia. Outra obra realizada pela FUNASA foi a construção de banheiros próximos às casas das famílias. [...] Com esses [..] investimentos consideramos que a Associação Guarani Nhe'em Porã tem um campo privilegiado de trabalho [e] continua muito fiel as suas tradições.[1]


v SÍNTESE BIOBIBLIOGRÁFICA

Olívio Jekupé nasceu em 1965, em Itacolomi, no Paraná. A sua avó é de origem Guarani-Nhandeva de Piraju (São Paulo). “Quando era pequena, teria uns cinco anos de idade – por volta de 1920, talvez – sua aldeia foi massacrada, os remanescentes fugiram”, afirma Betty Mindlin (2000, xiii) no prefácio do livro O Saci verdadeiro, de Jekupé (2000).
Os depoimentos pessoais do autor dão conta de que, em suas veias, corre o sangue mestiço: do lado materno, indígena. O lado paterno é natural de Rio do Pires (Bahia). Olívio Jekupé mora na Aldeia Krukutu, em São Paulo. As experiências na cidade grande renderam-lhe volumes de prosa (contos e historiografia) e um livro de poemas, a saber: 500 anos de Angústia (1999), poemas; Xerenkó Arandu: a morte de Kretã (2001), contos e historiografia; Irandu: o cão falante (2001), contos. Há outros livros, porém inéditos: um deles traz histórias do povo Guarani e faz parte da Coleção ‘Memórias Ancestrais’, coordenada por Daniel Munduruku, junto à Editora Peirópolis.
Jekupé foi estudante de Filosofia em São Paulo. As dificuldades financeiras impediram-no de concluir o curso, mas permanece a sua paixão por Nietzsche. Daí o seguinte comentário: "Alias eu sou aquele ‘índio nietzscheano’ que você[2] leu no livro do parente Daniel Munduruku; foi uma história real aquela, aliás, conheci Daniel há muitos anos e estudamos juntos na USP. Ele é um grande escritor". No prefácio do livro O Saci verdadeiro, a antropóloga Betty Mindlin (2000), escreve o seguinte acerca do escritor Olívio Jekupé:

Quando era criança, na Bahia, Olívio sempre se ouvia chamar, pejorativamente, de ‘índio’. O preconceito de que, como tantos outros, foi vítima, não o fez rejeitar seu povo de origem ou desejar diluir-se unicamente no mundo do pai, que não era índio.

[...]

O anseio de ser índio, num país preconceituoso, que exterminou os primeiros habitantes e tomou suas terras, que marginaliza, desconhece e não valoriza a multiplicidade de seu tesouro social e cultural – temos mais de 200 povos e línguas indígenas – só pode ser digno de admiração. Assim como Olívio, muitos povos do Nordeste, Leste e Sul do Brasil são teimosos, procurando marcar uma cidadania brasileira diferenciada, tratando a duras penas de reconstruir sua identidade, por vezes as línguas originais que perderam, de reconquistar parte de suas terras, de manter os laços comunitários (MINDLIN, 2000: xii).

Análise
As observações de Mindlin a respeito do livro de Jekupé mostram que o reconhecimento em torno da literatura indígena-descendente se faz necessário ao exercício de cidadania, embora o estudo dessa produção não seja contemplado no Parâmetro da Educação Escolar Indígena. Se um dos objetivos do RCNEI é discutir os temas transversais, tais como identidade/alteridade, (des)igualdades/diferenças o prefácio de Mindlin, por exemplo, dispensa apresentações para ser incluído em uma próxima edição do Referencial e do Caderno de Apresentação/2002, subsidiado pelo MEC.
Com base no diálogo entre literatura e antropologia observado em Mindlin, pensemos nas questões que acompanham os seres humanos jogados nesse mundo. De onde viemos? O que somos? Qual o nosso lugar? Para onde vamos? Essas perguntas ilustram, nas entrelinhas, a mente de um garoto: um pensador Guarani chamado Karaí. No olhar do narrador, esse personagem fala da necessidade de interpretar o mundo, de contrariar as inverdades, de buscar sua identidade para reconhecer que ele e o outro (quer seja índio, branco, negro, mestiço) são parte integrante de uma realidade maior: o ser humano. Neste trabalho, a análise focaliza a relação identidade/alteridade em O Saci verdadeiro. É dessa questão, entre outras, que trata a narrativa de Olívio Jekupé (2000).
A conversa do personagem Karaí com a sua mãe, uma contadora de histórias, é o ponto de partida que o escritor Olívio Jekupé utiliza, mostrando que as vozes da tradição se mantêm vivas apesar dos tempos de neocolonização. Para compreender os desafios desse conto, convém ressaltar que ele foi inspirado “nas histórias contadas por muitos tios e tias [do autor] que vivem nas terras Guarani” (MINDLIN, 2000: x). Fruto da autonomia de autor, o livro apresenta um pequeno Guarani descontente com a velha imagem que fazem do índio nos chamados livros infantis e/ou paradidáticos. Daí a sua busca por um personagem verdadeiro.
O livro apresenta duas partes: na primeira, intitulada: “O índio só de um braço”, o narrador em terceira pessoa acompanha os conflitos de Tupã Mirim, um menino que se sentia só. Ele não podia fazer muitas coisas porque lhe faltava um braço. Sentindo-se deslocado em meio a tanta gente da aldeia, principalmente dos amigos que se divertiam pulando no rio, subindo árvores, caçando, namorando, Tupã Mirim lembra das histórias do avô a respeito do Saci: um protetor das matas que ajudara o avô em muitas ocasiões. A crença de Tupã Mirim nas histórias contadas pelo avô e solidariedade do saci devolvem-lhe a autoestima, aproximando-o de outros parentes da aldeia.
A segunda parte da narrativa dá título ao livro e coloca em primeiro plano o pensamento de um curumim (menino) chamado Karaí. O grande personagem do livro é o pensamento indígena que se revela na passagem da tradição oral à manifestação escrita. Ele não sabia ler, nem escrever, mas tinha em mente que precisava desse conhecimento para registrar, contar as histórias que a mãe lhe contava e tornar críveis e incomuns as narrativas da aldeia, em contraponto as histórias mal contadas. Com esse pensamento Karaí entrou na escola fora da aldeia, mas à medida que a freqüentava ele passou a duvidar das histórias ancestrais.
A professora contava histórias que as crianças acreditavam, menos Karaí. Um dia ele resolve tirar o assunto a limpo, mas descobre muita discriminação e preconceito, até perceber que o Saci é, também, um índio e verdadeiro. Vejamos algumas passagens da história, a começar do diálogo entre uma contadora de histórias e o seu filho:

Quase todos os dias, Karaí ouvia histórias da sua mãe antes de deitar. Ouvia com atenção e sempre dizia:
_ Mãe, quando eu tiver meus filhos irei contar tudo a eles, assim como a Senhora me conta.
O tempo foi passando e ele continuava a ouvir as histórias que a sua mãe contava. Ficava impressionado e não como sua mãe guardava tudo aquilo na cabeça.
_ Será que vou guardar tudo o que minha mãe fala? – pensava sempre (JEKUPÉ, 2000: 27).

A história do saci verdadeiro configura uma das especificidades do discurso literário indígena que é, entre outras, a constante referência à espiritualidade ancestral, como forma de criticar a banalização do discurso que o outro faz no que diz respeito ao pensamento indígena. A falta de informações sobre o assunto contribui para a existência de tantos preconceitos. Na escola, principalmente, a desigualdade se reproduz porque os programas de ensino não valorizam a pessoa do índio, do negro, do mestiço e de outros grupos rotulados de minoria. A autohistória/memória da escritora e pedagoga indígena Darlene Taukane (1999) sobre o seu tempo de escola vem ilustrar a situação:

Muitas vezes vi que era diferente aos olhos de ‘outros’ e tive que mudar e modelar muito a minha postura, minha maneira de ser, porque agia com certa ingenuidade diante deles e das coisas que ouvia, dentre elas, as pessoas que falavam em nome do índio e falavam como ‘amigos’ dos índios. Hoje em dia eu tenho a clareza de separar quem são esses ‘amigos’ (TAUKANE, 1999: 18).

Ausentar o estímulo à reflexão significa retirar a possibilidade de diálogo, como observam Bordini e Aguiar (1993) acerca da formação leitor. Nesse sentido, vale anotar as palavras de Sidney Soares (2000) com respeito ao livro de poemas de Jekupé, pois mostram, claramente, uma das raízes do problema:

Desde criança tenho curiosidade sobre as várias nações indígenas do Brasil, mas nunca tive grandes informações sobre tal assunto. Se um dia algum professor pedisse para que fossemos ler um livro de poesia escrito por um índio, seria um grande susto para todos. Acredito que isso ocorra porque no senso comum existe a idéia que o índio é vagabundo e ignorante, o trabalho do índio é diretamente relacionado a uma coisa ruim.
Sendo assim, não temos nenhuma música de um grupo indígena nas paradas de sucesso ou representantes oriundo da comunidade indígena na mídia. Você se lembra de algum apresentador de TV Kaiapó, um repórter Xavante, um jogador de futebol Pataxó, ou um poeta Guarani?
Desprovidos de suas terras e suas tradições culturais, os povos indígenas foram incorporados na sociedade brasileira abaixo do nível da pobreza. Assim, em muitas cidades onde existem povos indígenas estes são vistos como bêbados e pedintes. O índio miserável (SOARES, 2000: 5).


Essas questões traduzem o contraponto entre a pedagogia dominante e a indígena. Naquela, a reprodução da desigualdade fomenta o individualismo. Na educação indígena, considerando a “alteridade moderna”, Meliá (2000: 15) nos ensina que “é precisamente a participação da comunidade que assegura uma alteridade bem entendida”, isto é, a serviço da comunidade. Nesse contexto, a narrativa de Jekupé configura um espaço de liberdade para que o Saci indígena possa manifestar sua alteridade como protetor dos homens e das matas, ou como personagem que se identifica com quem se vê ou se sente diferente, ou até mesmo deslocado dentro ou fora da aldeia.
Índio ou mestiço, basta invocar sua presença, o Saci aparece - como dizem os parentes. Na sua alteridade, o Saci indígena não usa gorro. Tem as duas pernas e carrega no pescoço um colar, ou baêta. Aquele que roubar o baêta fica com os seus poderes, diz o conto. O outro, isto é, o saci dos contos populares é rotulado de mal e bagunceiro, como aparece no livro de Monteiro Lobato, “escrito quase como a biografia de alguém que existe de verdade [nos] depoimentos sobre a figura de uma perna só”, como observa Mindlin (2000: ix).
A percepção do outro em Olívio Jekupé parte da consciência de si mesmo (um índio-descendente) e da sua relação com a comunidade indígena que lhe conferem o atributo de mestiço. Reconhecer-se nessa mistura implica também uma parte do problema, quer seja fora ou dentro da aldeia; contudo a carga de preconceitos contra o indígena e seus descendentes parece mais acentuada fora da comunidade. Os seus poemas em 500 anos de Angústia denunciam o individualismo, o preconceito. O próprio autor comenta na Revista O mensageiro (jul./ago. 2000:21) o que lhe motivou a escrever o livro:


[...] escrevi em protesto aos 500 anos de descobrimento do Brasil. Todo mundo sabe que o Brasil não foi descoberto, porque quando os portugueses chegaram em 1500 já havia gente [...] os nossos antepassados.
Mas o que se vê no momento é a grande mídia tentando esconder a história e mostrar um Brasil sem problemas, que aliás não é verdade.
Em meu livro [...] tento tratar de poesias sobre o meu dia a dia na aldeia [...] Não tenho patrocínio, a edição é independente.


Com efeito, essa atitude diante do texto literário e das questões indígenas vai ao encontro da construção dos personagens, das situações e dos problemas discutidos em O saci verdadeiro. Nesse sentido, temos:
a) um narrador atento aos passos e às inquietações de um pensador curumim;
b) um pequeno Guarani que aprende a distinguir – desde cedo – o verdadeiro, do falso;
a) o problema da intromissão de outros valores na aldeia;
b) a representação da mulher como contadora de histórias em contraponto aos ensinamentos que o curumim recebe fora da aldeia;
c) a verdade dos fatos em torno da identidade.

A questão identidade/alteridade convoca-nos a repensar o direito à diferença para entender o outro e compreender melhor a nós mesmos. Esse processo, que só existe pela consciência de nos tornarmos outro sendo nós mesmos (Meliá), converge à visão dos escritores e escritoras indígenas no Brasil e em outras partes da Ameríndia. Pensemos em Octavio Paz e, por extensão em Zilá Bernd, ao retomar o pensamento do poeta mexicano, cuja concepção de alteridade e identidade implica um “processo/dinâmica que se constrói e se desconstrói sem dissociar-se do conceito de alteridade, pois só existe identidade pela consciência de diferença que é posta por uma situação de estranhamento” (BERND, 1987: 38).
No espaço da narrativa, o compasso da escola não oferece tempo, nem abertura a mais perguntas. Atento às inquietações de Karaí e ao ritmo da escola dominante, o narrador observa: “Muitas vezes depois que batia o sinal, [Karaí] ficava lendo uns 20 minutos na biblioteca, depois ia pra casa. Ia pensando nas histórias que lia e chegando lá contava a sua mãe” (JEKUPÉ, 2000: 29).
Embora essa escola dê sinais ou vestígios de um entrelugar que é a biblioteca, ou seja, um local[3] de passagem onde o curumim busca – por meio dos livros – entender o outro e a si mesmo, a interiorização desses problemas se realiza na aldeia.
Do ponto de vista do narrador, o entrelugar da escola até parece familiar ao pensador Karaí. Não parece estranho, considerando que o personagem começou a desenvolver, desde cedo, o gosto pela leitura e muito mais cedo foi incentivado, sobretudo, a cultivar o hábito de ouvir e contar histórias de acordo com os costumes da aldeia.
Meliá (2000: 12-13) esclarece que no universo Guarani “a pessoa é uma ‘palavra’ única e irredutível, cuja história será uma espécie de hino de palavras boas e belas, uma história de palavras inspiradas, que não podem ser aprendidas nem memorizadas [e nem] podem ser, a dizer a verdade, ensinadas.”
Na visão do pequeno Guarani os livros, em geral, banalizarem a história do índio Essa consciência vem do convívio na aldeia até mostrar-se no desenvolvimento do hábito de leitura e da escrita, favorecendo a descoberta dos sentidos. Dessa perspectiva, em meio ao diálogo com a sua mãe, o pensador curumim expressa o seu raciocínio para que todos possam ficar sabendo da sua história, da forma ‘mais segura’, isto é, se atentarmos para uma alteridade moderna (Meliá). Assim, diz o Karaí:

_ Mãe, quando eu estiver no quarto ano, começarei a escrever as histórias que a senhora me contou e conta. E quem sabe, um dia, até editarei um livro, assim como os brancos fazem. Sabe, a história escrita fica mais segura. Assim, como as do Saci, tem muitos índios da minha idade que não sabem muita coisa sobre ele...
_ Isto é verdade. É que tem pais que não contam para os filhos... crescem sem saber...

[...]

E assim foi, uma vez por semana ouvia-se uma história de Monteiro Lobato.
Certo dia, a professora sorrindo disse:
_ Hoje contarei a...do Saci Pererê.
Ele se assustou, pois não sabia que os brancos também sabiam sobre ele... e principalmente que havia um livro sobre o Saci. (JEKUPÉ, 200: 29)


O desejo de tecer a própria história, como quer o personagem, decorre da necessidade de combater as inverdades que os outros ensinam a respeito do seu povo, sua tradição, sua espiritualidade e sua história. Desse modo, o personagem Karaí diferencia-se de outros à medida que a leitura implica um reconhecimento de si mesmo como leitor participante, embora a sua história de vida e as narrativas que certificam a sua indianidade não sejam codificadas com o devido respeito conforme ele espera. Afinal, há muitos sacis: os filhos da taquara, outros dos guarani, outros e mais outros transfigurados em orixás, ou no Dono das Ervas que se espalham no Brasil, na África ou na religião africana em Cuba – como observa Mindlin, no prefácio para O saci verdadeiro.
A representação do saci em outro – um indiozinho – configura um dos aspectos chaves no conto, à medida que o personagem Karaí trava uma luta identitária problematizando a relação entre ficção e história, tradição oral e escrita, leitura e escrita, autor e leitor para reconstruir o seu lugar de índio. As desigualdades na escola sinalizam a ausência de reconhecimento desse lugar ao personagem Karaí: um leitor, ao que parece, mais inquieto que os outros alunos da escola, como podemos observar no exemplo que segue:

De repente a professora pegou o livro e mostrou a capa, que tinha o desenho do Saci-Pererê. Karaí sentava na frente e pôde ver muito bem. Assustou-se e ficou espantado. É que o Saci-Pererê que viu na capa era um negrinho.
De repente a professora começou a dizer:
_ Vocês já ouviram falar do Saci-Pererê?
_ Sim – disseram todos.
_ Bom, o Saci é um negrinho pequeno e que anda com um cachimbo fumando e assustando as pessoas. Ele gosta de aparecer à noite para fazer suas artes.
_ Então ele é ruim, professora – disse um dos alunos.
_ Sim, diz a história que ele tem contato com o demônio.
Karaí só ouvia, espantado com tudo o que escutava. Sua mãe falava bem dele e dizia tudo ao contrário que ouviu da professora. Saci é um índio e a professora dizia que é um negrinho.
A professora continuou a dizer:
_ O Saci gosta de arte mesmo, é por isto que ninguém gosta dele. E ele nasce da taquara e tem muitos irmãos...
Quando a professora terminou, os alunos ficaram fazendo mais perguntas e ela respondia todas. Só Karaí é que não fez nenhuma pergunta.
Quando bateu o sinal ele foi até à biblioteca e pegou o livro para ler. Queria saber direito da história do Saci. Só saiu de lá quando terminou e ao chegar na aldeia, sua mãe ficou notando que ele estava triste, mas não perguntou nada, deixou-o quieto meditando. (JEKUPÉ, 2000: 30).

Em depoimento pessoal, o próprio Olívio Jekupé fala de sua mestiçagem, de sua admiração por Jorge Amado, Carlos Drummond e Darcy Ribeiro, além do convívio que mantém com outros escritores indígenas; entre esses, encontra-se Daniel Munduruku – autor da crônica à qual se refere o diálogo entre o amigo guaranietzscheano e um pastor.
A intolerância de que trata o referido diálogo converge para uma questão mostrada por Leopoldo Zea (1992), ao afirmar que muito embora, pelas circunstâncias históricas, o homem tenha se distanciado de suas origens, negar-lhe a identidade é rebaixa-lo à condição de objeto. Consciente desse desafio, o escritor Olívio Jekupé construiu seus personagens, mostrando do ponto de vista de uma contadora de histórias (mãe de Karaí) que o outro é uma invenção bem diferente do personagem indígena que os antepassados sempre falaram.
A mãe de Karaí explica: “- Eu já ouvi alguns índios dizendo que os brancos falam muito do Saci, este que eles criaram. Na verdade, não entendo porque eles criaram esta história, usando o nosso Saci e transformando tudo ao contrário” (JEKUPÉ, 2000: 30).
Vejamos algumas passagens da história em que o autor, por meio dos seus personagens, discute os valores convencionados considerando a diversidade cultural, pois os valores não são “perfeitamente”[4] legíveis para todos:

_ A professora falou e também li no livro que ele tem contato com o Demo... coisa ruim.
_ Não liga para isso, eles inventaram tudo.
Depois de ouvir aquilo, ficou mais encucado, pois sabia a vida do saci de dois lados. Um saci que é índio e outro que é negro. Não é que ele não acreditava em sua mãe, mas sua mente ficou confusa.

[...]
_ Quem estará certo? E o Saci é um índio ou um negro?
(JEKUPÉ, 2000: 31-32)

No trecho que acabamos de observar está explícito que no discurso do outro (da professora e dos alunos não-índios) os atributos situam o negro como força negativa. Daí o silêncio do menino Karaí à pergunta da personagem professora; um silêncio para contrariar o eixo do saber dominante, na visão estereotipada que se tem, em geral, a respeito do negro e do índio.
Não é à toa que, em seu prefácio, Mindlin evoca a simpatia e menos o medo do Saci, mostrando-nos que o livro de Olívio Jekupé configura um espaço de multissignificação, ao trazer para o conto indígena um personagem que habita o universo africano e que em “sua negritude [se] faz símbolo brasileiro positivo, contrabalançando o preconceito que infelizmente ainda não conseguimos erradicar do país” (MINDLIN, 2000: ix).
A antropóloga comenta que o escritor Olívio desempenha seu papel de representante de uma sociedade de tradição oral, ao recontar as histórias de encantamento que ouvira dos parentes que vivem nas terras Guarani. De acordo com a sua opinião, a novidade desse livro reside na insistência do autor em construir o personagem: um Saci indígena, descoberto por Olívio nas aldeias
Essas observações são fundamentais para que se leia o escritor Olívio sem preconceito, pois não é pelo significado pejorativo - ladino, mau caráter, dissimulado como apregoam os dicionários com relação ao ser mestiço - que o personagem de Jekupé deve ser visto. Ora negro, ora índio, o Saci nos ensina a curar os preconceitos e as discriminações contra os quais Mindlin mostra muitos caminhos ressaltando os estudiosos Bartomeu Meliá, Curt Nimuendaju, Egon Schaden, Pierre Clastres e muitos outros que contribuem para a “cultura dos Guarani [ser] uma das mais impressionantes e bem documentadas do Brasil, do Paraguai e da Argentina” (MINDLIN, 2000: xi).
Mas ainda é precária a divulgação do pensamento indígena e escassos os estudos a respeito da Literatura Indígena contemporânea no Brasil. Isso reflete "o que se vê no momento [que] é a grande mídia tentando esconder a história e mostrar um Brasil sem problemas", diz Jekupé (apud O Mensageiro, 2000: n. 123, 21). Não resta dúvida de que essa situação dificulta o desenvolvimento de pesquisas sobre o assunto e põe em risco os direitos literários, os direitos lingüísticos e a competência comunicativa[5] dos povos indígenas, pois estamos falando dos Direitos Humanos. O pensamento indígena (literário ou não) tem um lugar na comunicação intercultural, mas os textos de autoridade excluem a pessoa do índio - seja como autor, ou ente "comunicador da paz", como observa Lins[6] a respeito da necessidade de Educar para os Direitos Humanos.


Pensemos, então, nos escritores indígenas (entre eles, Olívio Jekupé) que - entre a aldeia e os centros urbanos - se juntam a leitores (crianças e adultos) com o objetivo de partilhar as “contação de histórias” dos tempo antigos e atuais. Pelo relato de suas experiências, esses contadores de história podem ser considerados guardiões do pensamento dos homens e/ou das mulheres que na aldeia são considerados curadores, ou os “maiores defensores natos na teoria e na prática” das tradições indígenas: o pajé, a pajé, como diria Eliane Potiguara.
O Saci indígena configura a construção de outro mundo possível. No diálogo o personagem-pensador envereda e nesse caminho se reconhece. Desse modo: “ele foi para sua casa e muito contente, porque viu pelos seus próprios olhos que ele [o Saci verdadeiro] existe mesmo, e que é um índio” (JEKUPÉ, 2000: 33).
O personagem/pensamento de Olívio Jekupé não constitui uma presença ameaçadora, pelo fato de ser mestiço. Sendo escritor e poeta, o seu pensamento é plural, verdadeiro, quão semelhante ao ponto de vista do seu pensador-curumim que expressa um ser à margem das raízes. Se as circunstâncias obrigam-no a sobreviver no contato com o outro (o não-índio), ele se nega a desistir[7]; escrevendo.
A “contação de histórias” em Olívio Jekupé imprime-se numa atmosfera de respeito, liberdade e compromisso mútuo entre o ouvinte e o contador de histórias, no sentido de que aquele que ouve traz, também, à cena a história/memória para compreender o presente com os seus desafios e que exige de todos (brancos, negros e índios) o respeito à natureza e à pessoa humana. Nessa perspectiva, tudo faz parte de tudo. A cosmovisão indígena não separa o rio e a árvore, o saci negro e o indígena, o pajé e poeta, a nuvem e a criança


(*) Este capítulo é parte da minha tese de Doutorado em Letras, intitulada: Contrapontos da literatura indígena contemporânea no Brasil; defendida na UFPE, em abril de 2003.
[1] Cf. Associação Guarani Nhe'em Porã. Disponível em: <http://www.culturaguarani.hpg.ig.com.br/historico.htm>. Acesso em: 20 out. 2002.
[2]Depoimento pessoal do autor em resposta à carta que eu escrevi, perguntado se era ele mesmo o índio nietzscheano mencionado na crônica de Daniel Munduruku, no livro Histórias de índio, op. cit.
[3]A noção de local ‘atua no interior da lógica da globalização’. Portanto, não deve ser confundida com ‘localidades bem definidas’, Cf. Hall (1999: 78).
[4]Segundo Bordini e Aguiar (1993: 16), “O conjunto de valores convencionados é chamado cultura e por isso mesmo perfeitamente legível porque criado pelos homens”.
[5]Alusão ao tema estudado por Gilda Maria Lins de Araujo Lins e Francisco Gomes de Matos (UFPE).
[6]Comentário pessoal de Gilda Maria Lins de Araujo, referindo-se ao discurso indígena e à disciplina Educar para os Direitos Humanos, ministrada pela Comissão de Direitos Humanos D. Helder Câmara, na UFPE.
[7] Cf. SOARES, Sidney, op. cit. p. 5.

domingo, 9 de dezembro de 2007

ESTÁ CHEGANDO AO FIM NOSSA PARTICIPAÇÃO NO PROGRAMA VAI, DA SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA.



FOI MUITO BOM PARTICIPAR POIS COM ISSO REALIZAMOS APRESENTAÇÕES EM VÁRIAS LUGARES NO EXTREMOS SUL DA CIDADE ONDE SEM O APOIO DO PROJETO JAMAIS APRESENTARÍAMOS...



PARABÉNS A TODA EQUIPE DO VAI, OBRIGADO AOS ESPAÇOS QUE NOS RECEBERAM...

APRENDEMOS MUITOS EM NOSSAS PALESTRAS E APRESENTAÇÕES DO CORAL INFANTIL!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

ASSOCIAÇÃO GUARANI
















Parece que foi ontem...
No ano 2000 os moradores da aldeia krukutu ainda continuavam tentando montar uma associação...Sempre tinha algo que não deva certo, quando juntávamos um bom numero de pessoas para diretoria, alguém acabava indo embora e pronto tudo ia por terra...






Nesse ano começamos a mudar o modo como era realizado o turismo na aldeia, antes as pessoas chegavam aqui sem avisar...Mas chamamos o Sidney Soares e montamos uma nova sistemática para atender os turistas na aldeia.
Assim no ano de 2001 finalmente juntamos um bom pessoal para a diretoria, o Sidney fez a documentação e registrou a associação. No começo tivemos que mostrar para outras ONGs que nossa comunidade era representada por nossa associação. Mas logo todos passaram a nos respeitar.
Com isso passamos a escrever projetos, acho que o maior dele foi o que deu origem ao que é chamado hoje de CECI.


Com o tempo fomos escrevendo muitos projetos, até 2003 o Sidney escreveu para nós, depois ele se afastou voltando apenas em 2007...Fizemos inúmeros projetos alguns totalmente independentes como nosso projeto de turismo, depois com financiamento público ou com parcerias com outra ONGs.



Olívio Jekupé e Sidney Soares


Nosso mais recente projeto é a produção do DVD de nome “NUNCA ASSUSTE UMA CRIANÇA”.





Mais informações no site da Associação Guarani Nhe’ê Porã:



www.culturaguarani.org.br

sábado, 29 de setembro de 2007

Represa Billing.

A aldeia krukutu, onde moramos fica ao lado de uma das cabeceiras da represa Billing, e ela passa por vários lugares ao nosso redor, e esses dias fui convidado a passar uns dias dando palestra na Sub-Prefeitura do Riacho Grande- São Bernado- SP. E lá pude falar sobre a mãe natureza, sobre a vida aqui na aldeia, e falei muito sobre o cuidado que temos que ter com os rios, aliás, as crianças nos receberam muito bem, nos escutando com carinho.
Espero que o pouco que eu e outros aqui da aldeia falamos possa ter concientizado as crianças, pois temos que aprender a amar a mãe natureza porque a coisa tá feia.
E fomos lá falar com apoio da Petrobrás

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Autores indígenas

domingo, 9 de setembro de 2007

!! A invasão do Brasil !!


A INVASÃO DOS PORTUGUESES EM 1500


Em 1500, 22 de abril apareceu neste país em que hoje é chamado Brasil, os primeiros jurua kuery (não índios). Eles vieram de um lugar muito longe daqui, chamado Portugal.
Mas a chegada de Pedro Álvares Cabral e seus amigos não foi nada bom para nós que somos chamados de índios?.
É, os nossos antepassados indígenas receberam o português muito bem. Só que eles não imaginavam que naquele momento se dava o início da destruição e que o interesse deles era na verdade outras coisas exploraram e roubaram todo esse imenso território.Sendo assim para os Juruá kuery, como eles mesmos dizem: 22 de Abril é o dia do descobrimento do Brasil. Mas para nós indígenas não, porque esse é o dia da invasão dos portugueses.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

HISTÓRICO DA CRIAÇÃO DO PROJETO CECI

Histórico
No início do ano de 2002 o presidente a Associação Guarani Nhê ê Porã Geraldo de Oliveira Paula encaminhou o pedido da comunidade para a construção de uma casa cultural na aldeia Krukutu.
O assessor da associação Sidney Soares passou então a estudar o tema, a idéia era utilizar os recursos que viriam da campanha da fraternidade e mão de obra indígena para a construção.
Nos estudos realizados ficou claro que a casa cultural deveria ser um espaço para a sistematização da tradição guarani, um lugar onde fosse possível trabalhar o conhecimento dos pajés de uma maneira nova junto aos jovens. Utilizando meios modernos como a televisão e internet para falar da tradição.
A principio a idéia é que esse espaço fosse um anexo da casa de reza, mas o Sr. Marcos Tupã considerou melhor que a construção fosse junto à associação, assim poderíamos utilizar um espaço já construído.
Pensando nas antigas casas guarani, chegamos a conclusão de que a casa cultural deveria ser inteiramente redonda. O primeiro projeto foi escrito por Sidney Soares e apresentado em agosto de 2002 o desenho foi inspirado no que vimos em uma visita ao Circo Escola Grajaú onde procuramos informações sobre seu funcionamento e uso.
A viabilização do funcionamento do espaço seria com a Secretaria de Assistência Social nos mesmos moldes do que já acontecia na aldeia Tenondé Porã.
Ao mesmo tempo estávamos em tratativas com a Secretaria Municipal de Educação para construção de uma escola na aldeia, mas as negociações foram interrompidas quando o Estado decidiu construir a escola.
O senhor Olívio Jekupé apresentou o projeto da casa cultural na Secretaria de educação através da Sr.a Maria Nilda que decidiu encapá-lo, levando ele também para outras aldeias guarani da cidade.
O desenho final do CECI como o projeto foi chamado possuía a casa redonda e o anexo que seria o antigo prédio da Associação Nhe ê Porã.
A busca da secretaria de educação foi à única maneira de viabilização do projeto
já que o dinheiro da campanha da fraternidade foi para o Instituto Teko Arandu, e o dinheiro da associação não iria dar para construir a obra.
A Sra. Maria Nilda disse que a Secretaria poderia ajudar. E nesse mesmo dia, foi agendado uma visita para que ela levasse os representantes da secretaria e visse nosso projeto e quem sabe eles poderiam nos ajudar.
E não demorou muitos dias apareceram várias pessoas que faziam parte da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. Todos nós lideranças e cacique se apresentamos, em seguida eles, e a função de cada um.
E foi através desse contato com a Secretaria, que hoje temos Essas três construções, uma em cada aldeia, e que ficou conhecido como CECI - Centro de Educação e Cultura Indígena.

sábado, 1 de setembro de 2007

MEUS LIVROS

SOU ESCRITOR E TENHO OITO LIVROS PUBLICADOS, VEJAM ALGUNS:

LEÓPOLIS INESQUECIVEL- PRODUÇÃO INDEPENDENTE

500 ANOS DE ANGÚSTIA- PRODUÇÃO INDEPENDENTE

O SACI VERDADEIRO- EDITORA UEL- UNIVERSIDADE EST. DE LONDRINA

IARANDU O CÃO FALANTE, EDITORA PEIRÓPLIS

XEREKÓ ARANDU A MORTE DE KRETÃ- PEIRÓPOLIS

VERÁ O CONTADOR DE HISTÓRIA, PEIRÓPOLIS

ARANDU YMANGUARÉ, EDITORA EVOLUIR

AJUDA DO SACI, EDITORA DCL

INDIOGRAFIE, PUBLICADO EM ITALIANO.




PARA CONTATO, CELULAR- 011-72625926

sexta-feira, 31 de agosto de 2007


ESCREVO PARA VIVER OU VIVO PARA ESCREVER ?

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Olá!

espero abrir um canal de comunicação com os leitores dos meus livros...